Aula
03/04/14
Apresentações
marcadas para dia 10/07/14
“Quando
vão parar de pensar como estudantes para pensarem como artistas?”
Comicidade:
Apesar
de muita coisa ridícula em Ilíada, ela não é cômica. Platão descobriu muitas
contradições numa época de recusa do cômico.
Falou-se
em “experiência cômica”, numa ampla gama de elementos ligados à comicidade, em uma
discussão para resumir a experiência cômica no riso. Há várias graduações no
ato de rir até a catarse cômica, ou seja, do sorriso à gargalhada. Não há uma
identidade entre a experiência cômica e o riso, pois quanto mais se gargalhar,
mais cômico o evento. Muitas vezes o comediante ri para que riam dele, mas quem
deve rir é o público.
Na
atualidade, existem congressos internacionais de comicidade. Na segunda metade
do século XIX, houve um aumento do riso, não para efeito mas para
produção/processo. Estudos de Bakhtin, entre os formalistas russos, levantou
vários desses procedimentos, saindo dos chavões da comicidade. A Filosofia
estudou de maneira geral sobre a comicidade, tendo o humor um sentido
contextual. Para Bakhtin, o cômico “sério” está junto com o não cômico em
situações distantes, saindo de situações prévias. A comicidade desafiando a
dicotomia, rir da essência. O que é risível e o que é ridículo. Ele estuda essa
passagem, uma fissura entre a realidade e ficção.
Duas
grandes teorias da comicidade:
1 – Teoria da Superioridade: contraste entre
valores positivos e negativos – rebaixamento. Ex: Térsites feio, aleijado;
relações entre rico x pobre, burro x inteligente.
O
negativo é cômico, numa teoria de grande laço com o social. Os valores mudam
com o tempo.
A
poética de Aristóteles sai do politicamente correto. A história da filosofia
nasce dessa rivalidade. As teorias cômicas foram incorporadas pelas teorias de
Platão.
2
– Teoria da Incongruência: Enquanto a outra girava em torno do social, dos
grupos (em Homero estão em grupos) por meio dos valores, aqui estão em relação
ao deslocamento de sentido - não fazer sentido, em um choque cognitivo quando o
referente deixa de ser estável. Não há como definir comicidade por sua
multiplicidade. Não há relação entre palavra e movimento. Incongruência das
ações, não são morais, pois estas ações vão para a teoria da superioridade.
Estas
teorias estão no não cômico também. A teoria dos gêneros foi destruída por ser
considerada equivocada.
Para
nós, considerar deslocamento para procedimentos. Fazer uma obra a partir da
obra dada, com ênfase na comicidade, usando os dois itens: superioridade e
incongruência, valendo-se de contrastes.
Em:
Pátroclo morto por Heitor. Há uma cena pivotal – ocupação de um centro que
atrai e organiza. Ex: considerando A como centro onde B, O, convergem em A. Não
há iluminação, é frente a frente, face a face.
Textos
que trabalham a prefiguração no jogo A x B – superioridade.
Nossa
leitura tenta resolver Homero que vem com outra escrita por acumulação e que
volta e retoma, em um outro movimento cognitivo.
Lewis
Carrrol usava a teoria da incongruência, que pode se multiplicar, às vezes não
parando. Ex: Canto XVIII.
Na
tragédia grega os sons são produzidos com o corpo. Homero é excesso, produz
muita coisa em uma variedade de elementos como em uma pessoa falando para nove
mil pessoas. Os povos não tinham sábado nem domingo, mas faziam as
festividades, concursos de rapisodos.
Técnica
do símile – materializar as coisas em cena. Chama uma imagem pela outra.
Homero fazia isto. Tem hora que o símile não é igual.
Para
o professor, a cena do escudo é uma das mais bonitas de Ilíada, um baú de
histórias/estórias, um projetor, onde Homero dá mais importância na maioria das
vezes para o evento narrado do que para o narrador.
Artigo
de Marcus Mota “Comicidade e cinema mudo” no site academia.org
Incongruência
– ação inconclusa
Briseida
– das poucas mulheres que falam na peça – Canto XIX
Canto
XX – Canto Grotesco, o oposto de sublime. Um esgoto de estética ocidental,
metamorfose negativada, deformação. Os deuses enganam.
Canto
XIX – verso 213, Grotesco em Aquiles - violência se expressa quando diz “homem
gemendo de dor”.
Canto
XX – Pátroclo já fedendo, mas Aquiles só vai enterrar depois.
Os
deuses são grotescos quando resolvem eles mesmos guerrearem.
Incongruência
– Canto XXI – verso 16 – Rio que guerreia com Aquiles!
Contradições
– “incolores ideias verdes dormem silenciosamente”
Lógica:
1) Princípio de identidade A=A
2)
Princípio de exclusão A=B
Metáfora
– transposição fora da lógica
Canto
XXI – Hamartía – acertar ou não o alvo. Não é considerado como pecado ou culpa.
Oráculos
– eram ambíguos.
Canto
XXII – recapitulações - no verso 110 Helena foi roubada com as criadas,
dinheiro, comitiva, ou seja, não se pode romantizar uma situação que não
aconteceu somente com Helena.
Cena
– v140 - Aquiles X Heitor – Aquiles corre 3 vezes em volta da muralha, fugindo
da morte. V165 a fala antes da morte. V395 o “horror”.
Polkilia
– conceito bacana, complexidade na trama, desenhos complexos de elaboração. Ser
atraído pela beleza complexa em opostos, intenção, variação que gera
complexidade.
Indicação
de livro: Teoria da Dissonância Cognitiva
Indicação
de livro: Um Ofício Perigoso
de Luciano Cânfora
Sobre
Mikhail Bakhtin
Sobre
Lewis Carrrol
Sobre
Hamartía:
Valeu, Mônica. Obrigado por disponibilizar suas anotações.
ResponderExcluirabs.
Sobre as anotações:
ResponderExcluirNo lugar de centro pivotal é cena pivotal, ou somente pivô.
Técnica do símile, que é comparação.
Livro é Teoria da Dissonância cognitiva.
E livro do Luciano Cânfora é Um Ofício Perigoso, como você bem apontou.
Abs. E obrigado.
Correções feitas! Obrigada! Abs
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