quarta-feira, 9 de abril de 2014

Aos 47´do segundo tempo, arrisco deixar minhas anotações sobre a aula da semana passada, para que ela não fique em branco. Deixo em aberto as lacunas que ficaram para serem preenchidas e/ou corrigidas e assim, vamos construindo nossa escrita nesse nosso fazer e refazer... Abraço, Mônica

Aula 03/04/14
Apresentações marcadas para dia 10/07/14
“Quando vão parar de pensar como estudantes para pensarem como artistas?”
Comicidade:
Apesar de muita coisa ridícula em Ilíada, ela não é cômica. Platão descobriu muitas contradições numa época de recusa do cômico.
Falou-se em “experiência cômica”, numa ampla gama de elementos ligados à comicidade, em uma discussão para resumir a experiência cômica no riso. Há várias graduações no ato de rir até a catarse cômica, ou seja, do sorriso à gargalhada. Não há uma identidade entre a experiência cômica e o riso, pois quanto mais se gargalhar, mais cômico o evento. Muitas vezes o comediante ri para que riam dele, mas quem deve rir é o público.
Na atualidade, existem congressos internacionais de comicidade. Na segunda metade do século XIX, houve um aumento do riso, não para efeito mas para produção/processo. Estudos de Bakhtin, entre os formalistas russos, levantou vários desses procedimentos, saindo dos chavões da comicidade. A Filosofia estudou de maneira geral sobre a comicidade, tendo o humor um sentido contextual. Para Bakhtin, o cômico “sério” está junto com o não cômico em situações distantes, saindo de situações prévias. A comicidade desafiando a dicotomia, rir da essência. O que é risível e o que é ridículo. Ele estuda essa passagem, uma fissura entre a realidade e ficção.
Duas grandes teorias da comicidade:
 1 – Teoria da Superioridade: contraste entre valores positivos e negativos – rebaixamento. Ex: Térsites feio, aleijado; relações entre rico x pobre, burro x inteligente.
O negativo é cômico, numa teoria de grande laço com o social. Os valores mudam com o tempo.
A poética de Aristóteles sai do politicamente correto. A história da filosofia nasce dessa rivalidade. As teorias cômicas foram incorporadas pelas teorias de Platão.
2 – Teoria da Incongruência: Enquanto a outra girava em torno do social, dos grupos (em Homero estão em grupos) por meio dos valores, aqui estão em relação ao deslocamento de sentido - não fazer sentido, em um choque cognitivo quando o referente deixa de ser estável. Não há como definir comicidade por sua multiplicidade. Não há relação entre palavra e movimento. Incongruência das ações, não são morais, pois estas ações vão para a teoria da superioridade.
Estas teorias estão no não cômico também. A teoria dos gêneros foi destruída por ser considerada equivocada.
Para nós, considerar deslocamento para procedimentos. Fazer uma obra a partir da obra dada, com ênfase na comicidade, usando os dois itens: superioridade e incongruência, valendo-se de contrastes.
Em: Pátroclo morto por Heitor. Há uma cena pivotal – ocupação de um centro que atrai e organiza. Ex: considerando A como centro onde B, O, convergem em A. Não há iluminação, é frente a frente, face a face.
Textos que trabalham a prefiguração no jogo A x B – superioridade.
Nossa leitura tenta resolver Homero que vem com outra escrita por acumulação e que volta e retoma, em um outro movimento cognitivo.
Lewis Carrrol usava a teoria da incongruência, que pode se multiplicar, às vezes não parando. Ex: Canto XVIII.
Na tragédia grega os sons são produzidos com o corpo. Homero é excesso, produz muita coisa em uma variedade de elementos como em uma pessoa falando para nove mil pessoas. Os povos não tinham sábado nem domingo, mas faziam as festividades, concursos de rapisodos.
Técnica do símile – materializar as coisas em cena. Chama uma imagem pela outra. Homero fazia isto. Tem hora que o símile não é igual.
Para o professor, a cena do escudo é uma das mais bonitas de Ilíada, um baú de histórias/estórias, um projetor, onde Homero dá mais importância na maioria das vezes para o evento narrado do que para o narrador.
Artigo de Marcus Mota “Comicidade e cinema mudo” no site academia.org
Incongruência – ação inconclusa
Briseida – das poucas mulheres que falam na peça – Canto XIX
Canto XX – Canto Grotesco, o oposto de sublime. Um esgoto de estética ocidental, metamorfose negativada, deformação. Os deuses enganam.
Canto XIX – verso 213, Grotesco em Aquiles - violência se expressa quando diz “homem gemendo de dor”.
Canto XX – Pátroclo já fedendo, mas Aquiles só vai enterrar depois.
Os deuses são grotescos quando resolvem eles mesmos guerrearem.
Incongruência – Canto XXI – verso 16 – Rio que guerreia com Aquiles!
Contradições – “incolores ideias verdes dormem silenciosamente”
Lógica: 1) Princípio de identidade A=A
2) Princípio de exclusão A=B
Metáfora – transposição fora da lógica
Canto XXI – Hamartía – acertar ou não o alvo. Não é considerado como pecado ou culpa.
Oráculos – eram ambíguos.
Canto XXII – recapitulações - no verso 110 Helena foi roubada com as criadas, dinheiro, comitiva, ou seja, não se pode romantizar uma situação que não aconteceu somente com Helena.
Cena – v140 - Aquiles X Heitor – Aquiles corre 3 vezes em volta da muralha, fugindo da morte. V165 a fala antes da morte. V395 o “horror”.
Polkilia – conceito bacana, complexidade na trama, desenhos complexos de elaboração. Ser atraído pela beleza complexa em opostos, intenção, variação que gera complexidade.

Indicação de livro: Teoria da Dissonância Cognitiva
Indicação de livro: Um Ofício Perigoso de Luciano Cânfora
Sobre Mikhail Bakhtin
Sobre Lewis Carrrol
Sobre Hamartía:




3 comentários:

  1. Valeu, Mônica. Obrigado por disponibilizar suas anotações.
    abs.

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  2. Sobre as anotações:
    No lugar de centro pivotal é cena pivotal, ou somente pivô.
    Técnica do símile, que é comparação.
    Livro é Teoria da Dissonância cognitiva.
    E livro do Luciano Cânfora é Um Ofício Perigoso, como você bem apontou.
    Abs. E obrigado.

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