domingo, 30 de março de 2014

Retórica e Performance

O Rogério comentou sobre a possibilidade de usar elementos de forma musical para ler Homero.
Bem, este tema é uma questão da aplicabilidade da retórica musical para leitura de textos não musicais.
No século XX, por meio do Modernismo, enfrentamos uma belicosa reação a temas e situações da retórica. Retórica virou sinônimo de conjunto de regras, de passadismo. Mas nem sempre foi assim.
Não é em vão que a retórica na Antiguidade foi formulada a partir da situação de se organizar a situação entre o produtor de discursos e sua audiência. A teatralidade dessa situação fez com que a teoria da retórica fosse ao mesmo tempo uma das primeiras teorias da performance. A vocação da retórica, antes de apropriada e reduzida pela cultura latina, foi um ênfase na racionalidade das situações performativas, tentando explicitar todas as etapas, da composição à recepção de eventos performativos. O chamado renascimento ampliou os estudos retóricos para objetos não linguísticos, como a música. Bach era professor de música e de Retórica. A retórica musical baseava-se no fato de que a organização de uma obra passa pela adoção de formas que promovem vínculos entre o performer e sua audiência. Um dos grandes tópicos dos estudos retóricos é a compreensão da atividade multisetorial na organização de uma obra. Toda obra é dividida em partes. E a relação das partes entre si, e das partes com o todo é um tema fundamental desde Platão. Dessa forma, há paralelos, homologias entre como obras musicais se dividem em partes e seções e obras não musicais.
Como a retórica discute e analise tais divisões, a aproximação entre divisão em partes de obras musicais e obras não musicais na verdade aproxima tais obras de situações performativas.
Dessa forma, as organizações de obras com definições diferentes podem ser aproximadas e comparadas em função de tradições retóricas.

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